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ESTRANHO SILÊNCIO
Foram tempos de muito amor,
De dedicação, confidências, apego.
Foram também de carinho, de
Afeto, cumplicidade e alegria.

Parecia que o paraíso existia e
Que o amanhã seria cada vez melhor.
A emoção dos encontros sempre renovada,
Em momentos de imensa felicidade.

Compartilhavam as dificuldades,
Dividiam as preocupações,
Solidarizavam-se mutuamente
E se completavam plenamente.

De um momento para o outro,
Inesperadamente, o laço foi rompido.
Sem explicação, sem diálogo,
Repentinamente, o silêncio completo.

Silêncio estranho, incompreensível,
Absoluto, total, como um ponto final.
Tudo ficou para trás, tudo se perdeu
Em sonhos, que se desvanesceram.

Cada um tomou o seu caminho
E suas vidas prosseguem.
Nenhum dos dois, entretanto, hoje,
Sabe o que se passa com o outro.

Talvez nunca mais venham a saber,
Por conta de um silêncio tumular.
Como pôde isso acontecer, com
Todo o encanto se dissipando no ar.

Resta a lembrança, que não se apaga.
Resta a saudade, que não ameniza.
Restam as vidas, mal resolvidas.
Resta o silêncio, que tem muito a dizer.

Augusto Canabrava
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