Nascemos e vivemos em um país abençoado. Já ouví essa
frase, se não me engano. Mas, de uns tempos para cá, aliás,
muito tempo, tenho pensado que o Brasil não é tão abençoado
assim. Seriam diversos os aspectos que poderiam ser abordados para justificar
o que tenho pensado.
Por agora quero me ater ao ambiente político. Estamos convivendo com a
existência, simultânea, de três CPMIs instaladas no Congresso
Nacional. No princípio delas e durante algum tempo, eram motivo de expectativas
esperançosas por parte da população desse país "abençoado".
Afinal, um deputado havia feito uma séria denúncia: o partido do
governo estava "comprando" o voto de parlamentares, para que ajudassem
a aprovar as matérias oriundas do Planalto.
A audiência televisiva das sessões das CPMIs batia recordes. Grande
parte do povo comentava, entusiasmada, sobre os depoimentos de "depoentes" que,
em geral, podiam mentir, protegidos que eram por cautelas judiciais. Os membros
das comissões, quer da situação, quer da oposição,
usavam e abusavam ao fazer suas perguntas aos íntegros depoentes. Era
um espetáculo. Pareciam astros e estrelas do cinema diante das câmeras
da televisão. Faziam discursos, falavam de suas vidas pessoais, dos seus
feitos ou lutas em benefício de causas nobres, etc., etc..
Os nobres parlamentares, excelências, também discutiam entre sí,
ou seja, os aliados do govêrno e os do contra. Em resumo, objetividade
zero. Nenhum planejamento, nenhuma disciplina, pouco conhecimento, pouca educação,
enfim, uma baderna. Não tinham foco em coisa alguma e ficavam alí,
horas e horas, "trabalhando", às custas dos impostos que pagamos
e que lhes enche a pança.
Agora, meses decorridos e muita falação, chegaram a uma brilhante
conclusão: alguns partidos ou alguns políticos se utilizam de verbas
não contabilizadas nas suas campanhas eleitorais. Em outras palavras,
utilizam-se de recursos financeiros não declarados ao TSE ou aos tribunais
regionais eleitorais.
Belíssima conclusão. Até hoje sempre pensei que os políticos
gastavam exatamente aqueles valores que informam ao tribunal. Como eu sou ingênuo.
Augusto Canabrava
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