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     RENÚNCIA

 

À tua presença, uma emoção
Aos teus carinhos, desejados
Aos teus encantos, lindos
Ao meu amor e ao teu por mim.



Aos teus olhos meigos, que me comovem
Ao teu doce beijo, que me alucina
À tua voz serena, que me acalma
À tua pele, que me arrepia.



À alegria de estarmos juntos
Ao convite ao amor que nos fizemos
Aos sonhos que construimos
Ao recomeço da vida em cada encontro.



Por que a renúncia? Não sei dizer
Já não me entendo a mim
Talvez seja um simples momento
De insegurança, de fuga, de reflexão.



Fuga da felicidade? Da alegria?
Do bem estar, do aconchego?
Ou medo do amanhã que virá
E do que ele pode trazer consigo.


Já não me permito ver adiante
Vislumbro apenas sombras informes
Perdi o caminho, o rumo, o norte
Por isso essa renúncia, estranha.



Adeus? Não sei ainda, não posso dizer
Até logo? Quem sabe, talvez
Até amanhã? Gostaria que fosse assim
O que me falta afinal? Afirmação?



Preciso de luz que me ilumine
Preciso de coragem, para prosseguir
Preciso de lucidez, para decidir
Preciso de alguém, sabes de quem?



Augusto Canabrava

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